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Motivação no trabalho – Antônio Roberto Soares novembro 18, 2007

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Artigo publicado por Antônio Roberto

Jornal Estado de Minas – Caderno Bem Viver – Data: 10/08/2003

“Numa sociedade competitiva somos chamados a tentar controlar ou sermos controlados. Daí a nossa frustração quando nossos desejos não são satisfeitos”

“Antônio Roberto, trabalho em uma empresa que não valoriza o meu potencial. Sou boa funcionária, não falto ao trabalho, sou correta no desempenho de minhas funções. Estou há um ano nessa empresa e não recebi nenhum aumento, o meu chefe sequer me apresenta um argumento convincente. Isso faz com que eu fique desmotivada a trabalhar. O que fazer? Cláudia, de Belo Horizonte”.

Com o avanço da psicologia social, a administração empresarial passou por grandes mudanças na questão humana. Sabemos que hoje o grande diferencial competitivo são as pessoas. E, em vista disso, muito se tem falado e escrito sobre a motivação do empregado, sobre a necessidade de sua valorização sob todos os aspectos: salário, segurança, condições higiênicas de trabalho, participação etc. Existem inúmeras teorias sobre motivação no trabalho e as que nos chegaram são quase todas americanas.

Há, porém, em todas elas um grande equívoco e que é o mesmo da leitora Cláudia: responsabilizar o mundo externo, as condições, as circunstâncias pela alegria, entusiasmo e motivação do empregado. Se o grande objetivo da vida é ser feliz, a coisa mais sagrada para cada um de nós é o entusiasmo e a alegria em tudo o que fazemos. Essa energia vital não pode ficar a mercê de como nos tratam. Motivação é automotivação.

Há um filósofo grego, Epicteto, que nos ensinava: “Não são as circunstâncias que nos fazem felizes, mas como nós lidamos com as circunstâncias”. Na mesma situação em que uns optam pelo crescimento, outros optam pelo sofrimento. Esse é um segredo da felicidade. Cuidar da própria motivação, aprender a estar bem, apesar dos problemas, das injustiças e não transferir a tarefa de se entusiasmar com qualquer pessoa. É claro que qualquer empregado tem o direito de lutar por melhores salários, promoções, por inúmeras reivindicações no seu ambiente de trabalho. O que não vale é perder a motivação quando eventualmente não for atendido. Por isso é que tenho afirmado, em diversas ocasiões, que ser feliz é ser feliz.

Quando criança, é natural esperarmos dos pais o atendimento às nossas necessidades e uma atitude de desânimo e sofrimento quando não nos atendem. À medida que crescemos, devemos assumir responsabilidade total por nossa vida, incluindo nossos sentimentos, sejam quais forem e trabalhando no sentido de impedir que acontecimentos alheios à nossa vontade nos tirem do estado de graça. Ou somos dirigidos de fora ou de dentro de nós mesmos. Crescer é autocentrar-se. Numa sociedade competitiva somos chamados constantemente a tentar controlar ou sermos controlados. Daí o nosso sofrimento e frustração quando nossos desejos não são satisfeitos. Tornamo-nos, assim, escravos da vontade dos outros. Querer um aumento salarial é natural e salutar, mas desmotivar-se para o trabalho, se não o tiver é focar-se em um único ponto. E o fato de se estar vivo, de amar alguém, de ter amigos, de estudar, de passear, de ouvir música, de dançar, de respirar, de saborear os vários aspectos da existência?

O conceito de inteireza e totalidade na relação com o mundo significa fazer com amor e dedicação qualquer coisa que estivéssemos fazendo. É condição básica para alegria. Trabalhando de graça, com baixa remuneração ou ganhando muito bem devemos nos encher de entusiasmo no trabalho. A palavra entusiasmo vem do grego e significa “deus dentro”. Cultivar essa energia interna, esse contato com a própria essência, com o eu interior é a raiz da verdadeira sanidade psicológica. Esperar que os outros nos façam felizes, seja no trabalho, no casamento ou nas relações sociais é travar o caminho. A Cláudia como qualquer um de nós tem também o direito de procurar outro emprego que a remunere melhor. O que ela não pode é, além de ter um salário ruim, entregar sua alma, sua alegria, sua jovialidade para a empresa. A sensação de humilhação, ofensa e mágoa é uma desculpa para a sua incompetência em ser feliz.

Antônio Roberto Soares

http://iscasemvara.blogspot.com

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