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CHAKRAS E MEDIUNIDADE fevereiro 3, 2008

Posted by lilaliss in curiosidade.
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CHAKRAS E MEDIUNIDADE – Uma experiência interessante, às vezes, é registrada nas reuniões mediúnicas – alguns espíritos, ao se comunicarem, o fazem através do chakra solar (umbilical), porque o médium psicofônico, embora emitindo a voz pela boca, sente como se ela estivesse saindo a partir da região onde se localiza o umbigo (a observação, por enquanto, limitou-se a casos de espíritos necessitados).

A comunicação mediúnica se opera com o auxílio dos chakras, e quanto maior o número de chakras envolvidos na ligação, maior a sua perfeição. Quando esta ligação não se faz como seria de desejar, a comunicação se dará através de comunhão mental, reduzida ao mínimo a influência sobre os centros neuropsíquicos.

André Luiz destaca a atuação dos centros na comunicação mediúnica, em se referindo, no livro No Mundo Maior (FEB), à mediunidade de Eulália, médium em desenvolvimento: “No entanto, o nosso antigo médico não encontra em sua organização psicofísica elementos afins perfeitos: nossa colaboração não se liga a ele através de todos os seus centros perispirituais; não é capaz de elevar-se à mesma freqüência de vibração em que se acha o comunicante; não possui suficiente “espaço interior” para comungar-lhe as idéias e os conhecimentos; não lhe absorve o entusiasmo total pela Ciência, por ainda não trazer de
outras existências, nem haver construído, na experiência atual, as necessárias teclas evolucionárias, que só o trabalho sentido e vivido lhe pode conferir.” (palavras do espírito Calderaro).

Esclarece André Luiz que, em vista disto, só através da boa vontade o espírito comunicante e Eulália podiam comunicar-se, e, por isto, o médico teria que despir-se da nomenclatura e técnica científica se quisesse identificar-se com a médium. Para isso teria de adotar a “comunhão mental, reduzindo ao mínimo a influência sobre os centros neuropsíquicos.” (op. cit.).

A EXISTÊNCIA DOS CENTROS – Ainda que toda literatura clássica do hinduísmo dê por assentada a existência dos centros, encontramos opiniões isoladas negando-lhes a realidade.

Gopi Krishna sustenta a sua inexistência por não se ter deparado com nenhum deles durante a aventura vivida com o despertamento da Kundalini (Kundalini, Ed. Record, p. 196).

Para ele, a existência dos chakras foi sugerida como uma forma de ajudar o discípulo a concentrar-se, chamando sua atenção para “os pontos mais sensíveis e mais suscetíveis aos efeitos dos centros cerebrais e nervosos, bem como para simbolizar a castidade”.

Esclarece que nunca se dedicou ao yoga tântrico, no qual a prática de pranayana e a meditação nos centros nervosos são essenciais. Se o tivesse feito, com a convicção na existência dos lótus, teria confundido “as luminosas formações e discos incandescentes de luz, ao longo da medula; em estado de imaginação excitada, teria sido levado, inclusive, a perceber, de forma bem viva, as letras sânscritas e as deidades que presidem cada chakra, sugeridas pelas imagens já presentes em minha mente” (op. cit. p. 197).

Pode-se, de imediato, verificar que a reserva de Gopi Krishna a respeito dos chakras é devida a não ter visualizado os chakras na forma descrita pelas escrituras hindus, em que cada um deles aparece com um pecíolo mandálico, arrodeado de pétalas com letras sânscritas, contendo, no seu interior, uma forma geométrica (yantra), um animal (nos quatro primeiros), duas divindades (uma masculina e outra feminina) e uma letra sânscrita (bija mantra). Ele viu os chakras, portanto. O que ele não percebeu foram os detalhes existentes nas escrituras hindus.

É evidente que isto não seria o bastante para descartar a realidade dos chakras. Leadbeater, por exemplo, não encontrou tais alegorias e, por isto, manifesta a opinião de que “os desenhos traçados pelos yogues hindus, para o uso de seus discípulos, são sempre simbólicos e não guardam relação com o efetivo aspecto do chakra, exceto a indicação da cor e o número de pétalas.” (op. cit., p. 115). No entanto, atesta a existência dos chakras com o pecíolo central e as pétalas.

Se relermos os trechos de Gopi Krishna, verificaremos que, em realidade, ele se deparou com os chakras: “as luminosas formações e discos incandescentes de luz, ao longo da medula espinhal, nas diversas junções nervosas”. Acontece que, como sua experiência ocorreu com repercussões sobre o corpo físico muito evidentes, tomou ele tais discos apenas como resultantes das junções nervosas, já que não percebia os símbolos da literatura hindu, sem atentar que exatamente nestas junções (plexos) localizam-se, no duplo, os chakras etéricos. No entanto, a descrição que dá dos discos é precisa quanto aos chakras – “… discos luminosos girando, enfeitando com luzes, ou lembram flores de lótus em plena florescência, reluzindo aos raios de sol. O círculo de incandescência irradiante envolvendo a cabeça, tingindo às vezes com cores do arco-íris, e sustentado pela estreita faixa de luz que se move em ascensão ao longo do dueto espinhal, também ostenta uma inconfundível semelhança com um lótus em florescência. (…) Assemelha-se de fato a um deslumbrante lótus de brilho extraordinário, tendo milhares de pétalas a denotar suas dimensões avantajadas.” (op. cit. 196/197)

OS SÍMBOLOS DOS CHAKRAS NA OPINIÃO DE MOTOYAMA – A respeito dos símbolos indicados no Shat-chakra-Nirupana, é de interesse conhecer a opinião de Hiroshi Motoyama.

Afirma o pesquisador japonês que, em sua própria experiência de despertamento dos chakras, ele nunca pode perceber os símbolos referidos (op. cit., p. 238).

Apesar disto, ele está convicto de que não são apenas meros símbolos, mas que há uma realidade neles. Transcrevemos alguns parágrafos da obra pela importância das experiências relatadas a respeito.

“Superficialmente, estes detalhes podem parecer ser meras representações simbólicas, ou talvez figuras que podem ser visualizadas para facilitar a meditação. Contudo, os relatos de muitas pessoas que têm experimentado o treinamento espiritual comprovam muitos dos detalhes descritos aqui (no Shat-chakra-Nirupana). Por exemplo, indivíduos que se concentram nos chakras muladhara ou swadhisthana – mesmo aqueles que não possuem qualquer conhecimento anterior do simbolismo do chakra – freqüentemente relatam o brilho semelhante a uma chama, seja em redor do períneo ou abaixo do umbigo. Isto pareceria corresponder às pétalas vermelhas que esses dois chakras, segundo se diz, possuem. Eu achei plausível que as cores designadas de cada chakra possam representar a coloração de sua aura na dimensão astral, e que os outros símbolos possam ter realidade.

“É de particular interesse aqui a experiência de minha mãe, uma personalidade religiosa bem respeitável e altamente evoluída. De seus 20 a 30 anos ela praticou o ascetismo da água freqüentemente no fundo das montanhas. Durante esta prática ela muitas vezes viu em redor de seu coração um caractere como de um barco invertido circundado por brilhante luz dourada. Quando ela perguntou-me pela primeira vez o que era, eu não soube, mas um ano ou dois mais tarde eu comecei a estudar sânscrito e li este Shat-chakra-Nirupana. Eu compreendi imediatamente que o “barco invertido” que ela descreveu não era outra coisa do que o “YAN”, o bija mantra do chakra anahata. Além disso, a luz dourada que ela percebeu está provavelmente relacionada ao triângulo dourado localizado dentro do bija (veja a figura do chakra Anahata, segundo as escrituras hindus, na obra de Leadbeater – Os Chakras). Em seu livro Os Chakras, o Rev. C. W. Leadbeater, também descreve o anahata como brilhando com uma cor dourada.

“Por conseguinte, em minha opinião, as descrições dos chakras no Shat-chakra-Nirupana são mais do que meras representações simbólicas. Eu estou de acordo com Swami Satyananda Sarasvati, que declara em seu Tantra of Kundalini Yoga, que existem numerosos mundos além da nossa consciência comum nas dimensões astral e causal onde estas figuras geométricas, cores e sílabas podem realmente existir. Sem dúvida, muitos detalhes iconográficos, bem como as habilidades paranormais e estados mentais descritos aqui (no Shat-chakra-Nirupana), como associados com cada chakra, correspondem exatamente com a experiência de vários ascetas de muitas religiões em todas as partes do mundo.” (op. cit., pp. 183/184; vide também pp. 238/239).

CLARIVIDÊNCIA – Com isso não se quer afirmar que na vidência e na sua interpretação não possa haver condicionamento à sua crença. As visões são sempre filtradas através do vidente, e cada vidente, além do seu ângulo personalíssimo de “ver”, de conceber o mundo, é também o produto de uma determinada cultura e de seu determinado momento histórico. O que se vê objetivamente passa pelo crivo da subjetividade do vidente. Acrescente-se a isto a interpretação do objeto, isto é, da visão, exatamente a parte mais difícil, porque aí se torna necessário distinguir fatos observados e projeções mentais de encarnados ou desencarnados captáveis pelo médium.

Ocorre, evidentemente, um condicionamento à crença na vidência, o que determina, como conseqüência, seja a visão percebida e interpretada de acordo com ela. Preleciona Emmanuel que “como acontece na alimentação do corpo, a visão, no campo da alma, é diferente para cada um.” (Clarividência, in Seara dos Médiuns, FEB, p. 47). Na vidência há de se distinguir, como dissemos acima, o que de fato se passa no momento das projeções mentais, que podem ter distintas origens. A recepção de umas e outras subordina-se ao continente mental que traduz o captado em termos visuais.

Na obra de Tereza de Jesus e de Juan de La Cruz, duas almas cuja grandeza é indiscutível, anotamos, por exemplo, a visão da Trindade. Em uma das vezes em que celebrava a missa, afirmou Juan de La Cruz ter visto as Três Pessoas em uma nuvem muito resplandecente (M. Teixeira Penido, O Itinerário Místico de São João da Cruz, Vozes, 1954, p. 61). Não há uma descrição pormenorizada da visão, de modo a que nos possibilite a compreendê-la fora do contexto católico, porém uma observação feita por Juan de La Cruz a Ana de Santo Alberto nos permite avaliar o observado. Dizia ele que em companhia daquele mistério se encontrava tão bem que “sem particular auxílio do céu, ser-lhe-ia impossível continuar em vida.” (op. cit., pp. 61162).

Ramakrishna fazia observação semelhante referindo-se ao samadhi, com o florescimento do lótus de mil pétalas, onde mora o Satchitdananda Shiva, o Absoluto, afirmando que o indivíduo não resistia mais de 21 dias após esse fato (El Evangelio de Ramakrishna, tomo II, pp. 16 e 173). Só o desejo de servir poderia manter “o ego do Conhecimento” ou “o ego da Devoção”, evitando a morte. Naturalmente que, por isto, o período mencionado não é fatal; busca-se avisar o praticante dos perigos de uma subida de Kundalini sem os cuidados necessários e sem o suporte físico para suportá-lo. O que importa, no caso, é perceber que os efeitos da “experiência”, tanto para Juan de La Cruz como para Ramakrishna eram os mesmos, o que demonstra a igualdade de valor do objeto percebido.

Pierre Weil, ao reportar-se às extraordinárias experiências de Muktanananda, comparando-as com as de Juan de La Cruz e Tereza de Jesus, comenta: “Eles também descrevem esses estados de consciência e visões parecidas, porém dentro do contexto cultural cristão. Tudo indica que a fonte de experiência é a mesma; porém a mensagem vem dentro de uma codificação cultural ao alcance de cada pessoa; essa codificação é feita por esse “campo informacional” do qual falam os russos.” (A revolução Silenciosa, Pensamento, p. 171).

A mesma visão pode ser diferentemente percebida. Se o indivíduo é cristão, a visão de uma entidade feminina de alta hierarquia pode ser percebida como a de Maria, mas se ele é hindu reportar-se-á a Shakti, a Mãe Divina. Mirra Alfassa, a Mãe do Ashram de Sri Aurobindo, escreveu umas certeiras palavras a respeito.

É certo que há experiências espirituais que sobrepassam a toda a espécie de condicionamento mental, quando o vidente se sobrepõe a este. Eis, por exemplo, os fatos descritos por Swami Nikhilananda, na Introdução ao vol. 32 de El Evangelio de Sri Ramakrishna: “Sri Ramakrishna ficou fascinado pela vida e ensinos de Jesus. Certo dia, estando sentado na sala da casa de campo que Yadú Maldick possuía em Dakshineswar, seus olhos se fixaram em um quadro da Virgem e do Menino. Mirando-o com intensa atenção, ficou pouco a pouco embargado por uma divina emoção. As figuras do quadro tomaram vida e os raios de luz que delas emanaram entraram em sua alma. O efeito dessa experiência foi mais forte que a da visão de Maomé. Consternado, exclamou: “Oh! Mãe (referindo-se à deusa Kali), que estás fazendo?” E rompendo as barreiras do credo e de religião, entrou em um novo reino de êxtase. Cristo tomou posse de sua alma. Por três dias não pisou no templo de Kali. Na tarde do quarto dia, enquanto estava caminhando no Panchavati, viu acercar-se-lhe uma pessoa de formosos e grandes olhos, expressão serena e tez clara. Ao encontrarem-se os dois, ressoou uma voz no mais fundo da alma de Sri Ramakrishna: “Eis aqui o Cristo, quem verteu o sangue de Seu coração para redimir ao mundo; quem padeceu um mar de angústia por amor da humanidade. Mestre de Yogues, Ele está em permanente união com Deus. É Jesus, Amor Encarnado”. O filho do homem abraçou o Filho da Divina Mãe e Se confundiu com ele. Sri Ramakrishna experimentou sua identidade com Cristo, como já havia experimentado sua identidade com Kali, Rama, Hanumám, Radha, Krishna, Brahma e Maomé. O mestre entrou em samadhi e em relação íntima com Brahma dotado de atributos” (p. 441 vide também Swami Vijoyananda Ramakrishna, Deus Homem, Ed. Vedanta, p. 41).

(In Spiritual Unfoldment I do espírito White Eagle pela médium Grace Cooke, iss, Inglaterra), The White Eagle Publishing Trust, 1972).

http://explicadinho.blogspot.com

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