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Criando Espaço para o amor – Rabino David Aaron agosto 18, 2008

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07022007134503g.jpgO verdadeiro amor requer que aceitemos uma pessoa pelo que ela é, sem projetar nela nossos sonhos e fantasias.
Uma relação de dominância não representa o amor. O Judaísmo ensina que amar é criar um espaço dentro de você e também, dar de si mesmo ao próximo. Somente quando duas pessoas se dedicarem e se ajudarem uma a outra numa relação de respeito mútuo e compreensão, poderão experimentar o poder e milagre de um amor verdadeiro.
Então, como tudo isso se relaciona com o conhecido verso da Torá que declara “…e para teu marido será o teu desejo e ele dominará em ti” (Gênesis 3:16).Não seria esta a fonte e a justificativa para a dominância do homem sobre a mulher? A resposta é, “Não, pelo contrário”. A Torá nos diz que se trata de uma maldição, não uma norma e nem um ideal para se seguir. Somos responsáveis por invalidar esta maldição, da mesma maneira que a tecnologia moderna na agricultura a anula “amaldiçoada é o chão para você… os espinhos e cardos lhe trazem … pelo suor de sua testa deverá comer o pão.”
Percebemos como a maldição da dominância é anulada nas relações amorosas de todos os Patriarcas e Matriarcas judeus.
D’us disse a Abraão: “…tudo o que te disser Sara, escuta em sua voz; que de Isaac será chamada a tua descendência” (Gênesis 21:12). A tradição Oral ensina que este verso indica que o senso profético de Sará era mais forte do que o de Abraão. Já o de Rebeca, também. Dificilmente é descrita como subordinada a seu marido, Issac, pois foi ela que, valentemente, persuadiu seu filho Jacob a se passar pelo seu irmão Esaú e vir em frente ao seu pai Isaac, que já estava cego, para conseguir a bênção. Rebeca teve a perspicácia de saber que era seu filho Jacob quem verdadeiramente merecia as bênçãos, e precisou organizar tudo a fim de ajudar Isaac a perceber a triste verdade em relação a seu filho manipulador, Esaú.
Também percebemos que quando Jacob quis sair da casa de seu sogro, precisou obter seriamente, o consentimento de suas esposas Rachel e Leá. Ele não estava disposto a tomar uma decisão sem suas opiniões e consentimento.
Um aluno meu, enquanto procurava por uma pessoa, teve um encontro com um rapaz que fez da maldição da dominância masculina um padrão ideal para seus relacionamentos. No primeiro encontro, perguntou a ela, “Você gosta de cozinhar?”
Ela disse, “Não, eu odeio.”
“Bem,” ele disse, “você gosta de limpar?”
“Não!”
“E de lavar a roupa?”
“Não mesmo.”
Ela percebeu que suas respostas estavam lhe deixando assustado então, disse, “Agora posso lhe fazer uma pergunta?”
“Claro.”
“Por acaso isto é uma entrevista de trabalho?”
Estava claro que o sujeito não procurava por uma esposa, e sim uma empregada. As mulheres tendem a cometer o mesmo erro perguntando sobre as condições financeiras do homem e suas chances de progredir.
Então, por quem estamos procurando?
Os primeiros versos da Torá nos dizem que o ser humano foi criado à própria imagem de D’us. E qual era essa imagem? O primeiro ser humano era um homem e uma mulher juntos, uma entidade única que incluía os dois sexos.”E criou D’us o homem à sua imagem, à imagem de D’us o criou; macho e fêmea criou-os” (Gênesis 1:27).
Nesta união do masculino e feminino, nesta singularidade de opostos, o primeiro ser humano refletia a imagem de D’us, uma unicidade que incluía a diversidade e ainda permanecia um só ser.
Este é um conceito muito importante. Uma pessoa sozinha não reflete a imagem de D’us; já uma pessoa em união com a outra, sim. Então, até que uma pessoa abra espaço para incluir uma outra, e permita que esta faça o mesmo, não temos uma unidade que reflita à imagem de D’us.
A Torá relata este fato, pois após a criação do ser humano, D’us disse: “Não é bom para o homem estar sozinho”.
Deus determinou que o ser humano precisava de um “ajudante,” mas isto foi um pouco antes da Eva ser criada. Ao invés disso, todos os pássaros e animais foram criados e o ser humano deveria nomeá-los. Concluindo, a Torá diz que ele não encontrou uma “parceira”.
Mas, o que tem a ver a nomeação das criaturas com o fato de encontrar uma parceira?
O Midrash explica que D’us estava brincando de casamenteiro. D’us consertava o primeiro ser humano com todos os animais no jardim. Enquanto Adão ia a seus encontros. Bem, imagine Adão, de pé, na entrada do Hotel do Paraíso, esperando ansiosamente, mas quem entra… “Oh…é um elefante! Umm… isto não vai dar certo D’us”.
Pobre Adão. Estava cercado por todos estes animais, mas não era feliz. E porque não poderia ser feliz com uma atraente girafa ou uma pequena galinha? Pois um animal está subordinado ao homem; não é igual a ele. De fato, Adão tinha a ordem de “… e dominai sobre o peixe do mar e sobre a ave dos céus, e em todo o animal que arrasta sobre a terra”. (Gênesis 1:28). Adão não podia superar a solidão e encontrar um amor verdadeiro com um subordinado, uma pessoa que recebe suas ordens.
A Torá é muito clara ao descrever uma esposa apropriada. D’us disse, “farei uma esposa conveniente, que seja kenegdo”, oposta e semelhante a ele. Em outras palavras, D’us criará alguém que, muito positivamente, de forma respeitosa, se manterá firmemente oposta e se dedicará paralelamente a ele.
Um animal pode ser uma grande ajuda para o homem ao fazer seu trabalho, mas não é um ser “significante”. Você não ficará satisfeito na procura de um amor a não ser que seja alguém que saiba que é igual a você e cuja diferença você respeita.
Realidades de um parceiro
Isto não quer dizer que alguns homens inseguros prefiram não ser desafiados. Já ouvi homens se aconselharem, dizendo “Tente arrumar uma menina jovem, uma que você poderá moldar”. E claro, um homem poderia achar alguém jovem e vulnerável e fazer com que esta se ajuste a sua ridícula fantasia de uma esposa que o considerará o senhor e mestre. Mas, só conseguirá isto da vida. Pois, sua existência será solitária e sentirá falta de um compromisso que somente uma “esposa kenegdo” proporcionaria, um relacionamento essencial para o crescimento espiritual. É algo muito triste, porque, deste modo, se privará da oportunidade de ser a manifestação viva de D’us expressa pela habilidade de amar, criando um espaço dentro de si mesmo para incluir uma outra pessoa.
Para poder amar, é preciso se retirar do centro das atenções e criar um espaço para o outro em sua vida. O amor só começa quando isto é feito. Em outras palavras, se você for egocêntrico, não está pronto para o amor, não poderá abrir um espaço suficiente para nutrir o parceiro. E o amor verdadeiro não é só criar um espaço dentro de sua vida para uma outra pessoa, mas também lhe dar seu espaço, respeitando e mantendo-o. É ser parte da vida do parceiro, mas ao mesmo tempo, não ser.
Viva a diferença!
Uma vez que conseguimos nos recuar do centro das atenções e criamos um espaço para uma outra pessoa, devemos desenvolver a sensibilidade de perceber como somos unicamente diferentes um do outro. A tendência é a ver o que temos em comum, e acabamos deixando passar as diferenças. Quando as pessoas dizem “o amor é cego”, é isto mesmo que querem dizer.
Mas o verdadeiro amor não é cego. Este consiste em ver as diferenças, a diversidade, o bem e o mal. Em hebraico, o verbo “ver” está diretamente relacionado ao verbo “respeitar”. E é isto que significa ver com os olhos do verdadeiro amor. O amor verdadeiro exige que observemos, aceitemos e respeitemos aqueles que amamos pelo que eles são, sem projetar nossos sonhos e fantasias neles.
Isto é algo complicado, pois temos a tendência de querer ajustar a pessoa nas nossas figuras imaginárias de amor verdadeiro. E se esta não se encaixa, tentamos modifica-las para que se ajustem.
Mas se tivermos sucesso em não ver só o que temos em comum com aqueles que amamos, mas o que nos faz diferentes, e se apreciarmos e honrarmos as diferenças poderemos dar o próximo passo e nos dedicar àquela pessoa. E simultaneamente, devemos possibilitar nossos companheiros para fazer o mesmo por nós, o que significa permitir que criem um espaço em suas vidas para nós, permitindo que entendam nossas diferenças, fazendo com que possam se entregar ao parceiro.

quintessencia

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